27 de janeiro, 2018
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Rompido o pacto da Constituição de 1988, por Wellington Dias (Governador do Piauí)

O Partido dos Trabalhadores realizou em 25/jan/2018 - dia seguinte do julgamento do Presidente Lula pelo TRF4, uma reunião da Executiva Nacional, ampliada com a presença de parlamentares, governadores, a Presidenta Dilma, representantes do movimento sindical e popular, onde debateram a decisão dos dos desembargadores que além de manter a condenação do Presidente Lula, aumentaram a pena de 9 anos para 12 anos.

Dentre os vários discursos, inclusive do Presidente Lula, a fala do Governador do Piauí, Wellington Dias, chamou a atenção pois em pouco mais de cinco minutos, ele sintetizou a realidade política brasileira, iniciada em 2005 com o "Mensalão do PT" até os dias hoje. Como Wellington diz: "é a ruptura do pacto de 1988".

Essa mesma avaliação, numa outra abordagem, o jornalista Breno Altman, editor da Opera Mundi, afirmou nesta sexta-feira (26) que a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF4 decretou a morte da 6ª República. 

Marcelo Nassif, Editor do Jornal do Nassif
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Wellington Dias: Rompido o pacto da Constituição de 1988 - VIOMUNDO POLÍTICA  - 27/jan/2018 às 15h45

Primeiro eu acho que está claro pra todo mundo o que eles fizeram até aqui, não vão parar. É preciso ter a clareza.

Eu sou daqueles que já não aposto tanto assim no judiciário. Eu acho que há necessidade da gente compreender mais claramente o que está acontecendo.

Vejo que em 10 horas de julgamento, apenas 15 min sobre o processo, 3 juízes, um que teve 6 meses como relator, um que teve 10 dias, o outro que veio tomar conhecimento em tese dos votos na mesma hora e também o procurador numa mesma posição, ampliar a pena para 12 anos e prisão em sistema fechado. Coincidência? Não é coincidencia.

Segundo, é preciso compreender, que nós temos,  disse a nossa presidenta no ato aqui em SP, é uma ruptura do pacto de classes que a partir do golpe de 64 resultou na constituição de 1988.

Antes de entrar nesse ponto eu pergunto pra gente entender que não é algo apenas do Brasil. 

Quem ganha e quem perde? Não vou nem falar de quem perde. Nós sabemos,é o povo. 

Quem ganha? os especuladores. Quantos estão nesse instante comprando dólares, num momento que ele tem queda. Quantos estão nesse instante comprando ações da Eletrobrás, da Petrobrás, enfim neste momento. Quem ganha e quem perde? Aí a gente sabe que esse campo que são os nossos adversários, na minha opinião não estão nem mesmo nos partidos. Alguns partidos, na minha opinião, são parte, mas são marionetes neste processo. Há um casamento de meios de comunicação com o judiciário. E isso é novo. E isso a gente precisa estar muito atento.

Não é um processo só contra o Lula. É um processo contra líderes. Contra a Gleise, contra o Lindenberg, em cada estado, onde passa um boi, passa uma boiada. É essa - esse desafio que está em jogo.

Quando eu falo na ruptura do pacto de 88, eu quero dizer que ali naquele pacto, nós colocamos, a classe empresarial, a classe dos trabalhadores, pudessem conviver, o respeito aos direitos individuais e coletivo. Ruptura. 

Vejam que a condenação em 2a instância é rasgar a Constituição; a prisão preventiva para uso como tortura, para conseguir delação. É ruptura.

Poderia falar da teoria do domínio de fato pra dizer que não veio de agora, desse momento. É ruptura

Dito isso, ali nós colocamos a ética e a liberdade de imprensa. Não é só a liberdade de imprensa. Ruptura !

Ali nós colocamos uma rede de proteção social, como parte desse pacto. O que se faz com a reforma trabalhista, e o corte de vários direitos, é ruptura.

Ali nós tratamos da segurança patrimonial e proteção das riquezas do povo brasileiro: Petrobrás, Caixa Econômica, Eletrobrás. Ruptura.

Ali nós colocamos a inviolabilidade da comunicação. Gravaram a Presidenta da República no exercício de uma atividade. E na política, nós colocamos no pacto de 88 o respeito aos partidos, e as regras, os eleitos, o respeito aos eleitos. O que aconteceu com a Presidenta Dilma? não respeito ao voto é uma ruptura. Sem qualquer crime, afasta uma presidenta eleita com 54 milhões de votos.

Em todos os momentos da história em que isso aconteceu, na Itália, no México, no Chile. Também no Brasil inclusive no Brasil em 64. Isso começa com indignação, vem mais agressividade como a de ontem (julgamento TRF4) aumentar a pena para 12 anos é um recado: "vocês tem o povo, mas nós temos o poder, e esse poder nós utilizamos sem nenhum receio, sem nenhum medo". 



Cada vez que uma agressividade como essa acontece, ela puxa pela história outras agressividades. É isto que está em jogo nesse momento no Brasil. 

Então, defender hoje, aqui, alguém inocente como Lula, não pode ser condenado, é de verdade defender a democracia. O manual é a Constituição de 88. Ou respeita a Constituição de 88 ou recebemos como uma ruptura.

E numa ruptura, você tem uma guerra de classe. Uma disputa de classe. Sem nehuma dúvida nosso lado tem que estar atento para a defesa da democracia.

Eu encerro dizendo pelo tamanho da luta nós temos que manter e organizar ainda mais uma rede mundial de líderes por que não é só no Brasil.

Em segundo lugar, em cada estado, com quem contamos. Aqui temos que estar aberto para receber  qualquer um que esteja disposto a  defender a democracia. Eu defendo a democracia. E afirmo não apenas como uma retórica: Eleição sem Lula é fraude. Eleição sem Lula é fraude.

Por Wellington Dias* (foto acima, diante da Executiva Nacional do PT)
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YouTube: AO VIVO EXECUTIVA DO PT - COM LULA_ E GLEISI_ 25/jan/2018 - A fala de WELLINGTON DIAS no vídeo está em: 22:50' a 29:35'

WELLINGTON DIAS, é Governador do Piauí, nascido em em Oeiras PI, 54 anos, casado, tem três filhos. Bancário, trabalhou no Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Banco do Estado do Piauí (BEP) e é empregado aposentado da Caixa Econômica Federal (CEF). Wellington também foi radialista 

Na década de 80, começou sua militância sindical na CUT/Piauí - Central Única dos Trabalhadores, foi presidente da APCEF Associação de Pessoal da Caixa Econômica Federal, depois, foi presidente do Sindicato dos Bancários do Piauí. 

Wellington Dias também é escritor e recebeu prêmios literários no Piauí. Estudou Letras/Português na Universidade Federal do Piauí (1982). Especializado em Políticas Públicas e Governo, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999).

Foi vereador de Teresina (1992-1994); Deputado Estadual (1994-1998); Deputado Federal (1999-2002); Governador do Piauí (2003-2010); Senador da República (2010-2014) e atualmente, é Governador do Piauí, pela terceira vez (2014 até 2018).


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Leia também - Atualizado em 30/01/2018 as 23h38:

O pacto democrático está rompido, Por Gleisi Hoffmann* 29/jan/2018 no BLOG DO ESMAEL - A presidenta nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, escreve que a democracia recebeu um “tiro de misericórdia” do Poder Judiciário. Segundo a dirigente petista, ao condenar Lula, o TRF4 rompeu o pacto estabelecido na Constituição pela redemocratização do país. Para Gleisi, lutar pelo ex-presidente é lutar contra a agenda de retrocessos.... continua - acesse o link aqui !
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Morreu a 6ª República”, diz Breno Altman - Blog do Esmael 26/jan/2018 

Assista ao vídeo no BLOG DO ESMAEL (acesse o link aqui) ou no face do Ópera Mundi - 20 Minutos: acesse o link aqui: "Quais os cenários depois do julgamento de Lula"

 O jornalista Breno Altman, editor da Opera Mundi, afirmou nesta sexta-feira (26) que a condenação do ex-presidente Lula pelo TRF4 decretou a morte da 6ª República.

Segundo ele, as elites romperam o pacto da Constituição Federal de 1988 que foi assentado na disputa pelo poder via eleições livres.

Breno diz que com o fim da democracia, consagrado na ‘Quarta de Cinzas’ antecipado, formaliza-se no Brasil uma Plutocracia sob influência da banca financeira.

​O editor do Opera Mundi denuncia que o rompimento do pacto constitucional e democrático é necessário para a elite vender o país, privatizar o petróleo, transferir terras a estrangeiros, dentre outras mazelas para o povo brasileiro.

Breno Altman prevê um sombrio período de ditadura disfarçada de democracia, submissa às potências econômicas e militares internacionais.

Ele propõe a “desobediência civil” e a “rebelião cidadã” para fazer frente ao golpe que tira Lula da disputa eleitoral.

“A candidatura de Lula está posta, mas a mídia quer desmobilizar a militância”, alertou Altman.
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Os períodos da república brasileira (fonte Wikipedia):

* República Velha (1ª República)
- República da Espada (1889 a 1894)
- República do Café-com-Leite

* Era Vargas: 
- Governo Provisório
- Governo Constitucionalista (2ª República)

* Estado Novo (3ª República)

* República Populista (4ª República)
- Eurico Gaspar Dutra, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Goulart e Ranieri Mazzilli.

* Regime Militar do Brasil (5ª República)
Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo.

* Nova República (6ª República)
- José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer.

O período republicano:  Blog do Professor Osiander:

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