04 de setembro, 2017
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Povo expulso do orçamento e da mídia, por Emir Sader no Brasil 247

Foi sempre difícil para a direita conviver com o povo. Tanto assim que, quando pôde, como na ditadura militar, tratou de suprimir todos os vestígios de sua existência. Intervenção em todos os sindicatos, repressão aos líderes sindicais, arrocho salarial – foram alguns dos sintomas dessa tentativa de suprimir o povo da vida política.

Colunista do 247, Emir Sader (foto) é um dos principais sociólogos e cientistas políticos brasileiros - 03/set/2017

Quando o povo passou a ganhar lugar na vida política e no orçamento da União, a direita tentou desconhecê-lo. Até que teve que reconhecer que o voto do povo se tornou o maior responsável pelo apoio a Lula e aos governos do PT.

Incomodada, a direita, através de sua mídia, tentou sempre desqualificar essas políticas, afirmando que elas desequilibrariam as contas púbicas, que desincentivariam as pessoas de trabalhar, de que haveria fraudes na concessão e utilização dos benefícios, de que serviriam para comprar a consciência das pessoas.

FHC alegou que os votos dos nordestinos eram votos de gente mal informada. – deve ser porque não leem a Falha de S. Paulo. Uma jornalista, porta voz do rancor contra os pobres, volta à carga, dizendo que o povo nordestino tem baixo nível político, ao não levar em conta as campanhas de denúncia contra Lula.

Desde que aderiu às politicas neoliberais, a direita não tem o que prometer ao povo. Collor e FHC venderam a ideia de que controlando a inflação ao cortar os recursos públicos e diminuir a presença do Estado, a economia voltaria a crescer, todos ganhariam e a população aumentaria seu poder aquisitivo. Nada disso se revelou verdadeiro, mas a direita tinha esgotado seu arsenal de alternativas e segue, com o governo golpista, apelando para o mesmo discurso e aplicando duro ajuste fiscal, que faz recair os custos da crise que eles geraram nas costas do povo.

Então o que dizer ao povo? Mais do que isso: o que dizer de Lula e de seu governo, que o povo aprova de maneira cada vez mais ampla?

A Caravana do Lula ao Nordeste não entra no discurso da direita. Como a imagem do Lula se mantém e só cresce na cabeça da grande maioria das pessoas? Como o povo manifesta abertamente que quer que Lula volte a ser presidente do Brasil?

Lula diz sempre que seu governo incluiu os pobres no orçamento. Da mesma forma que as FFAA, o Judiciário, a educação, a saúde, entre outros, estão no orçamento, seria preciso incluir nele os recursos destinados a políticas de inclusão social para os mais pobres. Para programas como o Bolsa Família, o Minha Casa, Minha Vida, o Prouni, o Fies, o micro crédito, entre tantos outros.

O governo golpista excluiu os pobres do orçamento. Programas inteiros são abolidos, outros são asfixiados pela falta de recursos, os pobres são diretamente penalizados, enquanto o governo gasta recursos – como Lula o recorda sempre, muito mais do que o gasto para a transposição do São Francisco, que atende a 12 milhões de pessoas, Temer usou para comprar 140 parlamentares apoio e tentar seguir na presidência.

Conforme não consegue explicar o sucesso estrondoso da Caravana do Lula ao Nordeste, desconcertada, a direita e sua mídia tentam esconder as reiteradas e sensacionais imagens do ex-presidente cercado por uma maré de povo. Mesmo quando dá alguma notícia da Caravana, é alguma fofoca, sem imagens de povo. O povo foi excluído não apenas do orçamento, mas também da mídia conservadora. Como não conseguem destruir a imagem de Lula, quem melhor representa o povo tenta abolir o povo, como se ele não existisse, como se fosse uma invenção de Lula.

O sonho da direita é ter uma democracia sem povo, um Estado sem patrimônio e uma nação sem soberania. Para isso tentou destruir Lula, sem sucesso, e agora tentar censurar as mais impressionantes imagens contemporâneas do povo brasileiro, abraçado a Lula.

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