11 de novembro, 2018
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Militares exigiram do STF a prisão de Lula (02)

“NO LIMITE”, COMANDANTE DO EXÉRCITO MANDOU LULA FICAR PRESO. QUE PODER É ESSE? O jornalista Ricardo Kotscho questiona a declaração do chefe das Forças Armadas, o general Eduardo Villas Bôas, que revelou ter agido "no limite" ao declarar pelo Twitter "preocupação com a impunidade", no dia 2 de abril, véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula pelo STF; "Fugir ao controle, como assim? Que controle? Que poder é esse numa democracia? O que ele temia? Um golpe militar? E quem o daria, o general Hamilton Mourão, eleito vice de Bolsonaro, que já havia feito várias ameaças de intervenção militar?", pergunta Kotscho - por 247 em 11/nov/2018 as 14h47

“NO LIMITE”, COMANDANTE DO EXÉRCITO MANDOU LULA FICAR PRESO. QUE PODER É ESSE? por Ricardo Kotscho no BALAIO DO KOTSCHO em 11/nov/2018

“Bolsonaro é um mau militar” (general Ernesto Geisel, ex-presidente da República, ao comentar porque o presidente eleito foi reformado pelo Exército aos 33 anos, após atos de insubordinação e desordem). ***

Ficamos sabendo neste domingo, oficialmente, que os militares já tinham voltado ao poder antes da eleição do capitão Jair Bolsonaro. E foram determinantes na sua vitória.

Em entrevista à Folha, o comandante do Exército, Eduardo Villas Bôas, revelou que agiu “no limite” ao declarar pelo Twitter “preocupação com a impunidade”, no dia 2 de abril, véspera do julgamento de um habeas corpus do ex-presidente Lula pelo Supremo Tribunal Federal.

A coisa poderia fugir ao nosso controle se não me expressasse”, explicou o general.

Fugir ao controle, como assim? Que controle? Que poder é esse numa democracia? O que ele temia? Um golpe militar? E quem o daria, o general Hamilton Mourão, eleito vice de Bolsonaro, que já havia feito várias ameaças de intervenção militar?

O eleitorado brasileiro, que fez papel de figurante em toda esta história, agradeceria se o general pudesse responder a estas singelas perguntas.

Na mesma entrevista ao repórter Igor Gielow, Villas Boas garantiu que a vitória de Jair Bolsonaro “não representa a volta dos militares ao comando do país”.

Pelas suas próprias palavras, eles já voltaram ao comando do país antes mesmo da vitória do capitão, quando o comandante do Exército intimou o Supremo Tribunal Federal a negar o habeas corpus a Lula, mantendo-o preso para não disputar a eleição.

Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do País e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?

— General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) 3 de abril de 2018

Asseguro à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais.

— General Villas Boas (@Gen_VillasBoas) 3 de abril de 2018

O voto decisivo foi da ministra Rosa Weber, que mais tarde, já na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, completou o serviço, ao impugnar a candidatura do ex-presidente, que naquela altura tinha o dobro das intenções de voto de Bolsonaro em todas as pesquisas. Tudo se deu com a precisão de um relógio suíço.

Ali se decidiu a eleição “manu militari”, com o acoelhamento do Judiciário. O resto foi consequência.

Bolsonaro assumiu a liderança das pesquisas, disparou em todas elas, após sofrer um misterioso atentando a facada, cercado de seguranças em Juiz de Fora, e correu para o abraço nas redes sociais, acionadas por dinheiro gordo no embalo do antipetismo que derrotou o substituto de Lula.

Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem como se decidiu a eleição de 2018, o “no limite” do general e a facada de um psicopata, mais a subserviência do Judiciário e as fake news, explicarão como um obscuro deputado, filiado às pressas num partido de aluguel, chegou à Presidência da República do Brasil.

As declarações do general Villas Boas, oito meses após a sua convocação ao STF, ajudarão os pesquisadores a explicar o fenômeno.

Outra boa fonte podem ser as colunas do jornalista Janio de Freitas, com larga experiência em golpes e ditaduras militares, que escreveu neste domingo, por coincidência, no mesmo jornal:

Se as coisas desandarem, o importante para antever o seu rumo será desvendar quanto os militares estarão dispostos a empenhar em barragem de proteção a Bolsonaro. O que dependerá da identificação, ou confusão, entre o Exército e o governo conduzido por ex-ocupante das suas casernas”.

Janio de Freitas lembra ao general Villas Boas que “fazer tocar o Hino do Exército, por exemplo, no saguão do hotel onde ocorrem as reuniões do círculo de Bolsonaro, é abusivo”.

Prestes a deixar o cargo, o comandante do Exército revelou também preocupação sobre o risco de “politização dos quartéis”.

Esse risco não existe mais. Já aconteceu, na verdade, e foi decisivo para a chegada de Jair Bolsonaro ao poder.

E vida que segue.
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Leia também: 

Janio: o Governo é civil! 
Geisel: "Bolsonaro é um mau militar"


* Por Janio de Freitas, na Fel-lha via PHA Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada em 11/11/2018 

O futuro das incertezas e dos temores com o governo Bolsonaro depende, a rigor, de um fator dominante sobre todos os demais. E ausente das cogitações atuais por ainda faltarem motivos que o tornem perceptível. 

Em todas as possíveis circunstâncias que não sejam de aceitação majoritária com o andar de tal governo, os outros Poderes e a legislação dispõem de variadas medidas corretivas. Aplicá-las, porém, não decorre só de existirem. 

As injunções políticas e os interesses representados no Legislativo e no Judiciário combinam-se como força decisória. Não, porém, no caso de Bolsonaro. 

Se as coisas desandarem, o importante para antever o seu rumo será desvendar quanto os militares estarão dispostos a empenhar em barragem de proteção a Bolsonaro. O que dependerá da identificação, ou confusão, entre o Exército e o governo conduzido por ex-ocupantes das suas casernas. 

O trabalho para criar essa identificação vem desde a campanha, à qual deu contribuição por certo significativa. Mas sua intensificação pós-resultado eleitoral ganha proporções mais do que inadequadas. 

Fazer tocar o hino do Exército, por exemplo, no saguão do hotel onde ocorrem as reuniões do círculo de Bolsonaro é abusivo. 

Até que se constate o contrário, se isso acontecer, o governo será poder civil. Mesmo os generais reformados que vão para ministérios administrativos estarão em cargos civis, sem diferença do advogado e do político em outro ministério. 

E, com a forçada identificação, o que o Exército ganha não lhe convém, nem ao país: é o risco de ser identificado com possíveis insucessos de Bolsonaro e seu governo. 

Além do mais, há uma contradição que inclui todos os modos de explorar a imagem do Exército utilizados agora e desde os primeiros passos de Bolsonaro na vida política. Se preza tanto o Exército, por que não agiu de modo a ser bem aceito nele? Citada várias vezes em dias recentes, a frase de Geisel é terminante: "Bolsonaro é um mau militar". Indesejado por desordem e insubordinação, foi induzido e conduzido à reforma. 

A identificação é buscada, em parte está atingida, mas não é autêntica nem legítima. (...)
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