17 de junho, 2014

Brasília, Distrito Federal: apesar do planejamento, erros e acertos...

Há 60 anos atrás falar e fazer uma região urbana no centro oeste brasileiro, totalmente planejada, parecia ser um filme de ficção científica. Mas foi isso que o então Presidente Juscelino Kubitschek encomendou aos Arquitetos e Urbanistas Oscar Niemeyr e Lucio Costa: a criação de Brasília, a capital federal Inaugurada no dia 21 de abril de 1960,
 
Ela foi planejada para ter uma população de 600 mil habitantes no ano 2000 - mas quando chegou nesta data já estava com 2.051.146 habitantes, atingia os 2,4 milhões de habitantes em 2008 e população estimada 2013 de 2.789.761milhões. Brasília, considerando todo o seu território do Distrito Federal, tem a área central denominado Plano Piloto e o seu entorno, as conhecidas cidades satélites como Gama, Taguatinga, Sobradinho, Guará e outros, atualmente é a quarta capital mais populosa do Brasil. 
 
Caso queira conhecer um pouco mais sobre o Distrito Federal acesse os links:
http://www.guiadoturista.net/distrito-federal/brasilia.html
http://www.senado.gov.br/noticias/especiais/brasilia50anos/not01.asp
http://www.ibge.gov.br/estadosat/perfil.php?sigla=df
 
As cidades satélites e seus bairros em sua maioria já fugiram em muito do projeto original. Existem locais como Águas Claras que não é diferente de um bairro de São Paulo - um edifício grudado no outro, quase inexiste áreas verdes, trânsito congestionado em boa parte do dia e até demais problemas do crescimento desordenado.
 
O Plano Piloto é considerado "Marco da arquitetura e urbanismo modernos, Brasília é detentora da maior área tombada do mundo – 112,25 km² – e foi inscrita pela UNESCO na lista de bens do Patrimônio Mundial em 7 de dezembro de 1987, sendo o único bem contemporâneo a merecer essa distinção. E por este motivo é preservado e não pode sofrer mudanças em sua arquitetura e planejamento.
 
"http://www4.planalto.gov.br/restauracao/brasilia-patrimonio-cultural-da-humanidade
 
Mas o motivo maior desta matéria é ressaltar o planejamento e a integração entre as diferentes zonas de um conglomerado urbano - pois Brasília é onde voce tem as areas residenciais, com uma estrutura comercial ao lado, a região bancaria, industrial, hoteleira, etc.
 
As tais superquadras em Brasília
 
O conceito de Superquadra,  como extensão residencial aberta ao público, em contraposição ao de “condomínio” como área fechada e privativa, foi inovador e revelou-se válido e civilizado. (Lucio Costa, 03/01/85.)
foto Rubens Craveiro: http://www.panoramio.com/photo/28109883
 
sábado, 29/outubro/2011: http://www.route777.com.br/2011/10/as-tais-superquadras-em-brasilia.html
 
Com 51 anos de idade (2011), para além do Plano Piloto (o famoso avião), Brasília já é composta por diversos cenários urbanos. As superquadras residenciais são talvez um dos cenários urbanos mais bem-sucedidos e menos conhecidos daqueles que nunca habitaram a cidade. Os blocos de superquadras, sobretudo aqueles construídos nas duas primeiras décadas de existência da capital, acabaram por determinar decisivamente a paisagem urbana que, em harmonia com a vegetação abundante, constitui o habitat dos mais de 500 mil moradores do Plano Piloto.
 
Morar numa superquadra é ter qualidade de vida. Largos campos para aproveitar uma caminhada ou corrida, baixa marginalidade, comércios locais com todo o básico necessário (farmácia, mercado, padaria, loja de roupas, acessórios e quinquilharias, bar, restaurante, lanchonete)
 
Características:
 
Assimetria entre as asas Norte e Sul 60 quadras no total, numeradas de 02 a 16 e divididas em 100 - 102 a 116, 300 - 302 a 316 (toda na face Oeste - W) e 200 - 202 a 216 e 400 - 402 a 416 (face Leste - L)
As quadras 400, são quadras econômicas, sem pilotis, elevador e garagem e com apenas 3 andares (para que a vista do Lago Paranoá nao seja perdida)
Siglas (já que Brasília tudo é uma sigla) - SQS (Superquadra Sul), SQN (Superquadra Norte), CLS (Comércio Local Sul), CLRN (Comércio Local e Residências Norte), EQS (Entrequadras Sul), EQN (Entrequadras Norte)
 
As asas do Plano Piloto, são áreas compostas basicamente pelas superquadras residenciais, quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão (onde há também escolas e igrejas). Asa Sul vê-se prédios mais antigos, enquanto na Asa Norte há contruções de  prédios mais novos e recentes, fora as quadras comerciais que tem apartamentos (geralmente kitnets ou apartamentos de 1 dorm.) em cima do comércio.
 
A utopia de uma Unidade de Vizinhança que conseguisse reatar as relações entre os vizinhos nas grandes cidades e que desse conta de unir as atividades comuns de um cidadão em modelos funcionais e organizados, foi a idéia principal de Lúcio Costa ao relatar como seria as “Superquadras” de Brasília na década de 1950. Mas a única Unidade de Vizinhança integralmente construída na cidade, exatamente como no relatório de Brasília, está situada no complexo de quadras 107, 108, 307 e 308 da Asa Sul.
 
Ao passar por essas quadras podemos ver algumas características comuns a Unités d’Habitation, traduzindo  um dos elementos fundamentais da arquitetura moderna fortemente influenciada pelos arquiteto Le Cobusier (foto ao lado) – fonte inspiradora de Lucio Costa.

O cobogó é outra característica comum, não só nas quadras da oito sul, mas em todo o Plano Piloto. A utilização do mesmo foi empregada para evitar o superaquecimento do ambiente iluminado e permitir a passagem de brisa e ventilação. Além de resolver outros dois problemas. Como o cobogó proporcionou a abertura em cada uma das fachadas permitindo a existência do efeito-chaminé e de ventilação ele ocasiona a renovação do ar e mantem a temperatura agradável sem a necessidade de condicionamento – o que é  mais que necessário em Brasília, onde sofremos com a seca em vários dias do ano (em 2011 foram 107 dias) – ao mesmo tempo, por estar sempre instalado no lado da área de serviço, o cobogó é aplicado para resolver um problema estético da exposição de roupas, varais e desordens comuns.
Nas quadras vemos a forte influência de Le Cobusier  através da arborização que se faz presente. Árvores de porte, prevalecendo em cada quadra determinada espécie vegetal, com chão gramado, arbustos e folhagens estão por toda parte. Na intenção de reconectar os habitantes com a natureza, característica perdida nas grandes metrópoles. É como se todos tivessem um grande jardim na porta da sua casa. Levando também esse conforto a qualquer pessoa que passe ali. Um verdadeiro jardim coletivo.
As praças estão espalhadas por essas quadras. Os generosos espaços entre os blocos proporcionam um lugar para convivência e lazer, seja para as crianças ou para os adultos. Ter um pequeno parque, espelho d’água, mesinhas e afins à  metros da sua residência proporcionando diversão e prazer imediato, sem precisar sair de carro para outros pontos da cidade. Na “ quadra 08 Sul” também foi aplicado os espaços de convivência tão citados no relatório de Lúcio Costa: “na fluência das quatro quadras localizou-se a igreja do bairro, e aos fundos dela as escolas secundarias”.
Logo atrás da “igrejinha”, está situado a Escola Parque 308 Sul. Também Projetada por Niemeyer. A escola atendia originalmente famílias de funcionários do Banco do Brasil, moradores da quadra. Hoje, os alunos são encaminhados para lá uma vez por semana – vindos de outras diversas Escolas Classes (públicas de Brasília) – para participarem de exercícios culturais e esportivos, como tapeçaria, coral, flauta, violão, desenho, esportes em geral, teatro e outras muitas atividades que são necessárias para o crescimento intelectual de qualquer humano. 
 
A Capela Nossa Senhora de Fátima – conhecida como “igrejinha” na cidade – foi desenhada por Oscar Niemeyer, e  lembra o chapéu das irmãs vicentinas.  Ela é revestida de azulejos que têm desenhos em forma e figuras estilizadas da pomba do divino e da estrela da Natividade, o painel é assinada por Athos Bucão.
 
Outro projeto empregado ali na quadra 106/107 sul é o do Cine Brasília. Ele faz parte do complexo de convivência de Lúcio Costa detalhado em seu relatório do PlanoPiloto. A edificação foi idealizada por Niemeyer. Basicamente construído com um volume curvilíneo e revestimento externo em cerâmica vermelha, hoje funciona com três sessões diárias e recepciona o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, única ocasião do ano em que fica lotado. Na decoração interna tem painéis de Athos Bulcão.
 
Fonte: Debaixo do Bloco, com adaptações: http://debaixodobloco.wordpress.com/
__________________________________________________________
Acesse, curta e recomende o JORNAL DO NASSIF

Comentarios

  1. Virgínia Stela

    O Sr. na foto não é Lúcio Costa. É Le Corbusier. Um grande arquiteto e urbanista moderno, contemporâneo de Lúcio.

    Grato por sua correção Virgínia. A matéria foi reproduzida de outras fontes que não consegui localizar, apesar dos inúmeros links que tem na mesma. Mas mesmo assim, eu corrigi o erro. At. Marcelo Nassif - Editor do Jornal do Nassif

Participe do BLOG e comente esta matéria (dentro das regras abaixo)!

- Enviaremos um e-mail para confirmar se a postagem realmente é sua e não um fake (seu endereço de e-mail não será publicado, será mantido sob sigilo).
- Os comentários serão moderados e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva do autor do comentário.
- Não serão aceitas mensagens com links externos ao site, em letras maiúsculas, que ultrapassem 1000 caracteres, com ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência.
- Não há, contudo, moderação ideológica.
A ideia é promover o debate mais livre possível, dentro de um patamar mínimo de bom senso e civilidade.
Obrigado!

Limite de caracteres no comentário : 1000

Total restante: