27 de setembro, 2017
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As trajetórias distintas de Antonio Palocci e José Dirceu

Existem inúmeras matérias desde que Antonio Palocci foi citado na Lava Jato, depois sua prisão, um possível não aceite no acordo delação dele pois diziam que poderia envolver a Globo e sistema bancário; - leia última matéria abaixo, do Conversa Afiada. Depois fechou o acordo e como não seria diferente de alguns outros delatores, usou a palavra mágica para a LAVA JATO: "L U L A".  Nesta resenha fiz a seleção de matérias distintas sobre o mesmo caso: Antonio Palocci. Começa com um texto da Tereza Cruvenil no Brasil 247 fazendo uma analogia dele em relação a José Dirceu. Depois vem a matéria com a carta dele na íntegra e em seguida a resposta oficial do PT.  O ex-Presidente da Petrobrás Sergio Gabrielli desmente a principal acusação de Palocci. E concluindo, Jeferson Miola traduz o que Palocci se torna a partir deste episódio: "um traste humano". Por Marcelo Nassif - atualizada em 28/set/2017 as 11h41
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Dirceu e Palocci: martírio e colaboração, por Tereza Cruvinel no Brasil 247 em  26/set/2017:

Entre 2003 e 2005 eles foram os dois pilares fortes do governo Lula. Dirceu comandava a articulação política e a coordenação de governo, Palocci pilotava a economia. Apontados como possíveis sucessores, disputavam poder e influência mas colocavam “o projeto” acima de tudo. Os adversários miraram primeiro em Dirceu, que começou a cair em 2004, com o caso Waldomiro, e foi abatido no ano seguinte, com o mensalão. Em 2006, foi a vez de Palocci, seguidamente acusado de ter feito negócios ilícitos quando prefeito de Ribeirão Preto. Caiu em 2006 no episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo. Sem os dois pilares, Lula perderia o prumo, calculavam os adversários. Erraram. O crescimento e a distribuição de renda garantiram sua reeleição. Por coincidência, nesta quarta-feira, dez anos depois, seus destinos e biografias separaram-se irreconciliavelmente. Dirceu, que na prisão manteve comportamento de preso político, não admitindo qualquer hipótese de delação de companheiros de partido, foi condenado pela manhã a 30 anos de prisão pelo TRF-4. Como ele tem 71 anos, é caso de prisão perpétua, embora a Constituição a  proíba. No início da noite, circulou a carta de Palocci, em que rompe com o PT e faz a Lula as mais pérfidas acusações, “queimando os navios” em busca da delação premiada.

Sempre houve em Dirceu um culto respeitoso ao martírio político. Um fascínio pelos que são capazes de pagar até com a vida pelas convicções. No dia 2 de janeiro de 2003, em seu discurso de posse como ministro-chefe do Gabinete Civil de Lula, declarou com olhos marejados. "Um bom dia a todos. Estou muito emocionado, vou falar de improviso. Vejo aqui, praticamente, várias fases, vários momentos da minha vida e das nossas vidas. Quiseram o protocolo e o destino que eu subisse, ontem, a rampa junto com o general Jorge Armando Félix, que é o responsável pelo Gabinete de Segurança Institucional. E, ao subir a rampa, evidentemente que, em primeiro lugar, subir com a minha geração. Então, a minha primeira palavra, sem rancor, sem ressentimento, é para aqueles que viveram, lutaram e não puderam estar conosco no dia de ontem. Não os esqueço, trago em meu coração, em minha memória, a imagem de cada um e os ideais de todos. E quero dizer, hoje, aos seus familiares, que sintam todos, aqui, nesta cerimônia.”

Referia-se aos que tombaram com ele na luta contra a ditadura, como os companheiros do Molipo, que foram abatidos como pássaros pela repressão ao regressarem ao Brasil depois de um treinamento em Cuba. Preso após a condenação na AP 470, e depois por Sergio Moro, na Lava Jato, portou-se como preso político. “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”. Ele gosta do verso. Ontem, logo depois da condenação, distribuiu nota em que agradece à militância petista e à presidente Gleisi Hoffmann pelo apoio e solidariedade.  Sem queixar-se da própria sorte, declarou-se feliz pela absolvição de João Vaccari. Jamais reclamou do pouco que o PT fez por ele, tanto agora como em 2012, quando foi condenado pelo STF com base na teoria do domínio do fato. Acusado de ser o comandante dos esquemas de arrecadação do PT, jamais disse que acima dele havia Lula.

Há dois meses, Dirceu vaticinou sobre Palocci. “Vai virar cachorro”...

Cachorro era como os presos políticos da ditadura chamavam os quem se passavam para o lado da repressão. Haviam sido massacrados pela tortura, passado pelo pau de arara e por sessões de choques elétricos. Alguns resistiram, outros não. Palocci, preso há mais de um ano, sucumbiu. A carta, como disse Gleisi Hoffman, foi endereçada ao PT mas parece haver mesmo nela um claro esforço para convencer a Lava Jato a aceitar sua delação. É possível que ela seja aceita, e que ele consiga reduzir sua condenação, agora que diz ter optado apenas pela família, embora se contradiga numa passagem. Ele o faz quando tenta explicar sua opção pela delação como uma atitude política, pautada por certo civismo: “por acreditar ser este o caminho mais correto a seguir, buscando acelerar o processo em curso de apuração de ilegalidades e de reformas na legislação de procedimentos públicos e na legislação partidária-eleitoral, que reclamam urgente modernização”. Esta parte era dispensável. Bastava dizer que o fez no interesse próprio e no da família. Palocci, como os presos que a ditadura 'quebrou',  sucumbiu à maquina da Lava Jato. 

Dirceu será lembrado como mártir. Palocci, como colaboracionista. De todo modo, são duas vidas moídas pelos tempos estranhos que vivemos. 
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"Até quando vamos acreditar na autoproclamação do homem mais honesto do país?" - Jornal GGN - Luis Nassif Online - O Jornal de todos Brasis - POLÍTICA - TER, 26/09/2017 - 20:51 - Foto: Eraldo Peres/AP

O ex-ministro Antonio Palocci escreveu uma carta ao comando nacional do PT oferecendo sua desfiliação e atacando a inocência de Lula, numa tentativa de reforçar a delação informal que fez diante de Sergio Moro, para ganhar benefícios na Lava Jato.
 
Na carta, Palocci diz: "Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do "homem mais honesto do país enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto são atribuídos à Dona Marisa?"

E continua: "Somos um partido sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade? Chegou a hora da verdade para nós."
 
O ex-ministro diz que não pode responder a um processo dentro do PT que cobra esclarecimentos sobre o depoimento que prestou contra Lula porque faz parte de uma negociação com os procuradores de Curitiba, que está sob sigilo.
 
Palocci, contudo, garante que tudo o que contou a Moro - ele acusou Lula de ter um "pacto de sangue" com a Odebrecht, em troca de R$ 300 milhões em vantagens ao PT - é verdade.
 
"Tenho certeza que, cedo ou tarde, o próprio Lula irá confirmar tudo isso, como chegou a fazer no mensalão."
 
Para Palocci, Lula, após o segundo mandato, "dissociou-se definitivamnete do menino retirante para navegar em terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do tudo pode, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes".
 

Veja a carta na íntegra, no Jornal GGN... acesse o link aqui !
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Gleisi: Carta de Palocci não se destinou ao PT, mas ao MPF; ele quer fechar negócio, trocando mentiras por benefícios - VIOMUNDO FALATÓRIO, POLÍTICA - 26/set/2017 às 21h23

NOTA DO PARTIDO DOS TRABALHADORES

A carta divulgada hoje (26) por Antônio Palocci e seus advogados não se destina verdadeiramente ao PT, mas aos procuradores da Lava Jato. É a mensagem de um condenado que desistiu de se defender e quer fechar negócio com o MPF, oferecendo mentiras em troca de benefícios penais e financeiros.

A carta repete as falsas acusações que ele fez diante do juiz Sergio Moro e que contrariam seus depoimentos anteriores. Em qual Palocci se deve acreditar: no que diz ter mentido antes ou no que mudou de versão agora para se salvar?

O PT trata de forma igual todos os filiados que enfrentam investigações e ações judiciais. Respeitamos o princípio da presunção da inocência. Ninguém será julgado por comissão de ética partidária antes do trânsito final dos processos na Justiça.

Palocci decidiu “queimar seus navios”, romper com sua própria história e renegar as causas que defendeu no passado.

A forma desrespeitosa e caluniosa como se refere ao ex-presidente Lula demonstra sua fraqueza de caráter e o desespero de agradar seus inquisidores.

Política e moralmente, Palocci já está fora do PT.

Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do PT

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Gabrielli diz que depoimento de Palocci sobre encontro com Lula é mentiroso

JORNAL GGN, O Jornal de todos Brasis - LUIS NASSIF ONLINE - POLÍTICA - QUA, 27/09/2017 13:31 - ATUALIZADO EM 27/09/2017 14:14 - Foto: Ricardo Stuckert.
 O ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli enviou uma carta à Globo rebatendo a declarações escritas pelo ex-ministro Antonio Palocci em um manifesto endereçado ao PT nacional. Palocci pediu a desfiliação do partido após ser questionado sobre o depoimento que prestou a Sergio Moro no início do mês, alegando que Lula tinha um "pacto de sangue" com a Odebrecht.

No pedido de desfiliação, Palocci diz que não pode dar detalhes das afirmações que fez pois elas fazem parte de uma negociação com o Ministério Público que está sob sigilo. Porém, garantiu que tudo que disse sobre os encontros com Lula, Dilma Rousseff e Gabrielli para tratar de propina em obras da Petrobras era "verdade".

Gabrielli, em nota, desmentiu o pretenso delator da Lava Jato e ainda acrescentou que Palocci ofereceu uma data descabida para o encontro com os petistas.

Leia, aqui, a carta de Palocci.

Abaixo, a nota completa de Sergio Gabrielli para a Globo.

Em relação a vergonhosa carta de Palocci que assume falsamente minha potencial concordância com suas posições:
1. Nunca tive qualquer reunião com o Presidente Lula e Presidenta Dilma para discutir atos de corrupção relativas as sondas para o Pré Sal brasileiro.

2. As reuniões que tive tratavam dos desafios de montar estas sondas no Brasil, que não as tinha feito anteriormente, buscando formas de organização empresarial e estruturas financeiras que as viabilizassem.

3. Sabíamos que os desafios da implantação de uma nova indústria envolviam uma curva de aprendizagem que impossibilitaria a geração de qualquer excedente extraordinário nos fluxos de caixa previstos.

4. Há uma confusão de datas nas falsas alegações de Palocci, uma vez que a pretensa reunião mencionada pelo delator teria ocorrido em 2010, mas os contratos das sondas só efetivamente foram assinados em 2011.
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Palocci, um traste humano - por Jeferson Miola no seu Facebook (foto) em 27/set/2017:

É óbvio ululante que a “carta-testamento” do Antonio Palocci não teve o PT como destinatário real, mas sim seus carcereiros de Curitiba. Está claro, também, que a carta é apenas uma trapaça de um velhaco desesperado e sem compromisso com a verdade e com a dignidade, com a honra e com a história alheia.

Com a vilania, ele somou pontos na negociação de “contrapartidas” com seus carcereiros. As vantagens não serão desprezíveis: a proteção de parte significativa do formidável patrimônio que ele amealhou no mundo do crime, assim como a redução considerável dos anos no cárcere.

Palocci se esmerou em elaborar um documento com altíssimo poder semiótico. Não são fortuitas, em nenhuma hipótese, as inúmeras descrições no texto recheadas de sentidos e significados:
- “... as situações que presenciei, acompanhei ou coordenei, normalmente junto ou a pedido do ex-Presidente Lula”; 
- “... a evolução e o acúmulo de eventos de corrupção ... principalmente a partir do segundo governo Lula”;
- “... destacar o choque de ter visto Lula sucumbir ao pior da política no melhor dos momentos de seu governo”;
- “... toda uma rede de sustentação corrupta e alheia aos interesses do cidadão”; 
- “Nós, que nascemos diferentes, que fizemos diferente, que sonhamos diferente, acabamos por legar ao país algo tão igual ou pior dos costumes políticos”;
- “... onde Lula encomendou as sondas e as propinas, no mesmo tom, sem cerimônias, na cena mais chocante que presenciei do desmonte moral da mais expressiva liderança popular que o país construiu em toda nossa história”;
- “Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do ‘homem mais honesto do país’, ...?”;
- “Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”;
- “... pude acompanhar de perto a evolução de nosso poder e nossa deterioração moral”.

Uma passagem, entretanto, sintetiza o poder semiótico da carta do Palocci:
“... ‘o cara’, nas palavras de Barack Obama, dissociou-se definitivamente do menino retirante para navegar no terreno pantanoso do sucesso sem crítica, do ‘tudo pode’, do poder sem limites, onde a corrupção, os desvios, as disfunções que se acumulam são apenas detalhes, notas de rodapé no cenário entorpecido dos petrodólares que pagarão a tudo e a todos”.

Palocci se assumiu como roteirista da Globo e da oligarquia golpista, condição que deverá lhe render benefícios adicionais, além daqueles que receberá dos carcereiros de Curitiba.

A carta é o roteiro que a classe dominante buscava para a narrativa de desconstrução da imagem, do significado e do legado dos governos civilizatórios do ex-presidente Lula. Tem o poder de um míssil nuclear para aniquilar Lula e o PT.

Palocci escreveu que já virou essa página. “Ao chegar ao porto onde decidi chegar, queimei meus navios. Não há volta”.

Não é improvável que, depois de colaborar para destruir Lula e o PT, o “italiano” se auto-exilie na Itália [país em que deve ter cidadania], para viver com os milhões amealhados e oferecidos em “contrapartida” pela Lava Jato.

Seja onde e como ele viver, entretanto, Palocci não perderá, durante nada menos que toda a eternidade, a condição de traste humano.
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Por que Moro não deixa o Palocci falar? por PHA Paulo Henrique Amorim no CONVERSA AFIADA,  publicado 27/06/2017 - charge: Aroeira

Melhor evitar o risco de ouvir o que não vem ao caso...
Por que Moro não deixa o Palocci falar?

Quem Moro protege ao não aceitar delação de Palocci? Para quem ele quer mostrar serviço? Do Blog do Esmael Morais - publicado 27/06/2017

Chamou mais a atenção do país a negativa do juiz Sérgio Moro à delação do ex-ministro Antonio Palocci do que a condenação, propriamente dita, a 12 anos de prisão por corrupção envolvendo a Odebrecht.

Na sentença condenatória, o magistrado afirma que a proposta de delação de Palocci parece muito mais com uma “ameaça” do que com uma “declaração sincera de que pretendia colaborar” no âmbito da lava jato. Continua... acesse o link aqui !

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